“Há muito acredito que o realismo é fantástico”
(Gay Talese)
Biografar, em tese, é uma impossibilidade, pois não há vida que caiba em um livro. Contudo, as biografias são sedutoras e curiosas, ocupando prateleiras do mercado editorial, enquanto despertam paixões ou ódios. Talvez os dois ao mesmo tempo. De qualquer forma, ruins são aquelas a despertar a mais inevitável apatia.
Na vida, como na arte, não importa o que se faz, mas COMO se faz. Quando falamos em arte em biografia, nos referimos à forma como se constrói esse texto. Sim, você pode ter um trabalho de pesquisa profundo, repleto de datas, informações, registros relevantes e precisos, mas se oferecer esse rico “pacote” em um texto maçante, por vezes, de insuportável leitura, de nada adiantará todo o seu empenho: perderá seu leitor.
Daí, nos últimos meses, participei do curso “A Arte da Biografia”, ministrado por Lira Neto e promovido pelo Armazém da Cultura de Albanisa Dummar. Tenho interesse em escrever uma, pelo menos, e o que me atraiu na proposta era a metodologia da pesquisa e de sua catalogação. Entretanto, o curso não se limita a isso.
Em 2022, a Companhia das Letras lançou A Arte da Biografia: como escrever histórias de vida, de Lira Neto, escrita a partir de notas de aula do seu curso ministrado na Universidade do Porto, em 2021. Embora no curso não seja obrigatória a aquisição da obra, ela consiste em grande facilitadora para maior compreensão do seu conteúdo e é um excelente guia de escrita criativa da narrativa de não ficção.
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