A invisibilidade da dor psíquica

Escreva o que aprendestes e reformules depois, se for possivel ou se achares necessário (Lanteri-Laura)

 

O texto é uma provocação intelectual aos leitores leigos em temas psiquiátricos. Àqueles que almejam, de forma direta ou indireta, conhecer a missão de um médico profissional da Psiquiatria, o leitor declara que a leitura exije mais rigor, tendo em vista que a nossa vida é complexa por lidar com a dor invisível da mente humana e não apenas com o sofrimento aparente da dor física. Cleto espera que o livro seja também um estímulo aos colegas médicos, para que escrevam as suasa memórias e histórias de vida.

O autor Cleto Pontes diz que a sua decisão de tornar público histórias vivenciadas, correu o risco de cair numa vala comum, até mesmo de mexer de forma inconsciente ou não, no egocentrismo que, por sua vez, é uma herança atávica do narcisismo. Por isso, durante anos relutou em fazer esse trabalho, ou seja, de percorrer uma trilha pisada com os seus próprios pés. Só se  disponibilizou  a fazê-lo depois de tanto andar e de ter o solado do sapato carcomido. Enfim, com os pés descalços no chão e mente a fervilhar de recordações, aconteceu o sinal de que a hora tinha chegado. Ainda se não fosse capaz de fazer o melhor possível enquanto psiquiatra, ele diz ter lembrado do conselho de um de seus professores, G. Lanteri-Laura: “escreva o que aprendestes e reformules depois, se for possível ou se achares necessário”. 

Sobre o autor: Cleto Brasileiro Pontes é médico-psiquiatra pela UFC, assistente estrangeiro na universidade René Descartes, com mestrado em antropologia pela EHSS (Paris), doutorado em Sociologia e pós-doutorado em Psiquiatria (Lyon II), trabalhou nos hospitais da região parisiense, inclusive em Salpêtrière, e estagiou e trabalhou na Itália nos hospitais São Clementi (Veneza) e São Giovanni (Trieste); na Inglaterra, no Hospital Geral de Watford. Foi professor da UNIFOR e da UFC; atualmente é palestrante na área de psiquiatria e pesquisador literário, tendo vários livros publicados. É, também, articulista do Jornal O Povo.

A invisibilidade da dor AQUI.


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